Por vezes sinto a necessidade de dizer tanta coisa. Por vezes
não sei o que dizer. Por vezes nem sei o que por aqui ando a fazer. As paredes
não passam de paredes. O branco cansa-me e o preto desmotiva-me. O pôr-do-Sol é
algo que ainda hoje me deixa emocionada, é uma imagem que me preenche
completamente, a todos os níveis. O tom, a simbologia, os momentos que este já
acompanhou da minha vida. Nem todos bons, mas todos eles marcantes. Poderia
dizer que já chorei a ver um pôr-do-Sol, mas é algo que ainda não aconteceu.
Sou frágil, completamente destroçada a nível emocional, mas sou tão forte.
Forte porque me controlo, porque mesmo estando sozinha não gosto de me deixar
ir abaixo, de desistir. Não sou desistente. Sou persistente, por vezes teimosa.
Não sou uma pessoa fácil, nem um bocadinho. Sou louca. Sou capaz de fazer tudo
e mais alguma coisa. Faço coisas que provavelmente me arrependo, mas sei lá, faço-as
porque me completam, porque me fazem crescer e sentir que não deixei nada por
dizer nem fazer. Por vezes sou fria, falo com as pessoas com “sete pedras” na
mão. Se o faço por mal? Não. Se fosse a dizer tudo aquilo que sinto, me incomoda,
me revolta, me forma, e me atormenta, provavelmente ficava solteira, sem
amigos, sozinha. Sei que se o fizesse totalmente magoaria aqueles que me
rodeiam, porque nunca perceberiam aquilo de que falo, somente aqueles que
também já passaram pelo mesmo, que espero que sejam muito poucos. Só gostaria
de dizer que acabar uma relação não é o fim do mundo, perder o Iphone muito
menos. Nada é o fim. É apenas o início. Nós e a nossa mania de complicar aquilo
que é tão óbvio Se perdemos um amigo, um namorado, porque lamentarmos essa
perda? Não, não o devemos fazer, se isso aconteceu, é porque algo melhor está
para vir, era porque não era para continuar, assim teve de ser, e não nos
devemos questionar porquê, é tempo que perdemos. Nesse tempo se calhar já teríamos
feito novos amigos ou talvez conhecer alguém que nos arrebate com o seu
primeiro olhar. Tudo a vida é uma questão e tempo, de escolhas. Tudo na vida é
incerto. E na minha vida? Na minha vida eu escrevo os versos.

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