quarta-feira, 3 de setembro de 2014




Faz hoje cerca de uma semana que conheci uma rapariga. Cheguei a uma esplanada e ela estava lá com amigos meus. Não sei porquê mas fui logo com a cara dela. Era daquelas pessoas que se notava que se punha logo à vontade no primeiro sorriso que lhe lançavam. Mas reparei uma amargura no olhar. Notava uma tensão no sorriso que não queria rasgar por completo. Roía a unhas e de seguida suspirava. Pegava no telemóvel e voltava a pousar. Voltou a pegar nele, pousou. Suspirou. 
Quando a abordei mostrou ser muito simpática, sorridente. Passaram-se cerca de duas horas e só ficamos eu, ela e a nossa amiga em comum.  
"-Então Francisca, está tudo bem? Hoje estás mais calada que o costume. Sim, porque ela fala muito, mas no seu estado normal ainda consegue ser mais faladora e mais maluca." - dizia-me a nossa amiga. 
Bastou uma pergunta. Uma pergunta para ela se desfazer em lágrimas.  A Ana, a nossa amiga, saltou logo duas cadeiras de modo a poder ampará-la. Eu permaneci no mesmo sítio sem saber o que dizer, sem saber se devia estar ali. "É melhor deixa-las a sós", pensei eu. Mas quando o pronunciei a Francisca foi a primeira dizer que podia ficar. Fiquei.
E então ela disse: 
"-Não vos queria chatear, mas sinceramente, preciso de chorar e preciso de me sentir ouvida. Nestes últimos dias não existe ninguém a quem eu consiga recorrer. Ninguém que eu consiga ligar a dizer: não sei o que se passa comigo. Não existe ninguém que eu ache que me compreenda. Não sei se a Ana já comentou contigo - disse-me ela - mas namoro há cerca de dois anos, falta pouco menos de um mês. Mantemos uma relação à distância. Quando tudo começou era a primeira a não acreditar que ia resultar, mas a verdade é que resultou. Não te consigo explicar o quanto o consigo amar neste momento. Eu amo a toda a hora. Não sei se já estiveste apaixonada alguma vez, mas acredita, é a melhor coisa que te pode acontecer." Suspirou e limpou algumas lágrimas que lhe corriam no rosto. "Acordar e pensares naquela pessoa. Adormeceres e pensares em quem? Nele. Sou louca por ele. Louca. Amo tudo. Posso dizer-te que é bom em tudo, não desaponta em nada. É o meu melhor amigo e a pessoa mais honesta que conheço." Agora sim, chorou. E muito. " O problema é que ao amares demais, ganhas um medo de perder essa pessoa gigante. Mais do que perder outra qualquer pessoa. Eu, por exemplo, tenho muito medo da morte. Mas acredita, tenho ainda mais medo de perder o Rui. Sim, chama-se Rui. Rui Aurélio." Riu. "E depois tornaste-te ciumenta. Por muito que gostes das amigas dele,  por muito que as aches simpáticas, vais sempre vê-las como um "perigo" talvez. Então se achares que são melhores que tu em alguma coisa.. fazes filmes a toda a hora. Começas a ter medo das festas em que não estás. Nunca sei se nesse festa ele não se cruza com alguém e rola um clima e metade da "magia" que eu possuía se perde, assim, num olhar."  Ela chorou, e apertou a mão da Ana com tanta força. "Ele vai para a faculdade este ano e eu só penso nas raparigas que ele vai conhecer, naquela mais bonita que se vai interessar nele. Sim, porque eu não te disse, mas o meu namorado é de tirar o folgo, o meu moreno. Vês? Lá estou eu a chamá-lo de meu. Até quando será? Espero pelo dia em que ele me mande uma mensagem a dizer: "Kika, sinto muito mas estou apaixonado por outra pessoa." E ela chorou novamente. "E tudo, tudo aquilo que vivi, que me fez feliz e que me completa, acabará ali.. num segundo. Eu não sei, mas vai-me custar tanto. Sabes, ele pode ser o meu namorado, mas tornou-se o meu melhor amigo. Quando acontece alguma coisa, eu só penso nele para desabafar, para chorar.  Quando o abraço, tudo vale a pena, tudo. Sentir o corpo dele no meu, as minhas mãos no peito dele, o calor dele. Como se nada me pudesse destruir naquele momento." Ela sorriu e deu uma gargalhada bem leve. "Talvez esteja mal por isso mesmo. Por ter criado uma dependência. Por achar que neste momento é impossível ele amar-me do meu jeito, da mesma maneira. E então eu choro. Ninguém sabe, mas choro todas as noites. Só de pensar naquele dia. E pronto, basicamente estou a viver o amor da minha vida."
Perante tudo aquilo fiquei boquiaberta e só fui capaz de dizer: "Obrigada por me contares tudo isto. Não desistas de alguém que amas tanto." E chorei. Eu nunca amei assim.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vie.

Ando há dias para escrever. Mas ando com tanto medo. Não sei, parece que aquilo que estou a sentir não é compatível com as palavras que habitam no meu pensamento. Tudo parece confuso. Aquilo que um dia me parece certo, no dia seguinte, parece-me errado. Estou esgotada sabem? Completamente cansada. Não me sinto com forças para nada neste momento. Mas sei que existem pessoas em posições piores então de manhã faço por me certificar que as pessoas não vão ver de mim nada mais do que um forte sorriso e aquela minha gargalhada estúpida e estridente. Ando carente. A todo o momento as palavras de conforto são bem-vindas, mas a todo o momento elas faltam. Tenho a noção de que por vezes se abraçasse um amigo ou uma amiga, desabaria, no mesmo momento, no mesmo sítio. Então quando o faço, faço mas faço com metade da intensidade que quero. Como se metade da minha dor desaparecesse, mas a outra metade continuasse lá, a mexer com a minha vida e a replicar-se de dia para dia. A todo o momento me apetece estar com alguém. Não tenho gostado de estar sozinha. Mas este tempo em que escrevo está a saber-me bem. Adoro fazê-lo porque choro sempre e parecendo que não, são lágrimas que se vêm a acumular e a lutar para sair cada uma para a fazer a sua justiça. Tenho pena. Muita pena mesmo. Da pessoa que me tornei, dos meus dias, dos meus medos, da minha vida, dos meus sonhos que nem chegam a ser idealizados devido a todos aqueles que um dia se foram. Gosto de dizer que as estrelas são os sonhos de cada um, mas que só tem direito a uma estrela aquele que luta pelos seus sonhos e acredita que é capaz. Pois eu não tenho lá nenhuma. Sou capaz de me odiar várias vezes ao dia e de me rebaixar a toda a hora. Ai mas se soubessem o quanto eu amo por dia. Eu amo em demasia. Mas ele nem imagina. Eu penso em tanta coisa. Mudei de assunto eu sei. Mas isto anda a consumir-me! Não vos sei explicar, só desejo que todos consigam amar alguém assim. Deste jeito quente e frio ao mesmo tempo. Deste jeito capaz de aguentar uma relação à distância. Deste jeito capaz de provocar os mais diferentes sorrisos. Tenho 16 e tenho medo de o dizer. Mas sabem.. não me imagino a amar tanto alguém como o amo neste momento. É um sentimento tão mas tão assustador. É capaz de me fazer chorar devido à sua importância porque um dia já fui independente. Um dia já disse: "Amar? Eu? De jeito algum." E ainda hoje quando ele vai embora e diz: "Amo-te muito!" Eu digo adeus de forma fria mas por dentro idealizo o discurso mais caloroso onde as palavras amo-te e saudades predominam. Sou fria demais para o dizer alto, mas apaixonada por demais para o dizer para mim quase explodindo com as poucas paredes que ainda me protegem. Sim, aquelas do coração que sei que já vos partiram ou deixaram uma marca de qualquer forma. Nem que sejam palavras quase desaparecidas mas que ainda assim tendem a persistir na vossa memória. Amo como o amam os peixes o mar, amo como amam as pessoas o verão. Amo de forma silenciosa e de forma divertida. Amo tanto que não me reconheço. Olho-me ao espelho e vejo uma Kika capaz de amar e penso: "Podes estar a sofrer, a perder tudo e todos. Mas pensa, ganhaste o dom de saber amar. E esta Kika eu quero olhar no espelho para sempre."

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Estupidez mais estúpida.

O difícil num texto é sempre começar. O que dizes no início é o que faz com que queiram ler o resto. O amargo das palavras e o doce dos gestos. Tudo isso me leva a escrever. Consegui despertar a atenção? Desculpem. Estava sem ideias para começar. 
Ontem fui a Coimbra e na viagem, o meu pai, para variar, vinha com excesso de velocidade. Pus-me a imaginar se algo corresse mal, houvesse um acidente e ao invés de eu morrer, ficasse numa cadeira de rodas, com um atraso qualquer. Como aconteceu com a mulher do cantor Chris Medina. Quem ficaria comigo? Quem cuidaria de mim? Poucos foram os nomes que eu consegui ter a certeza que não me abandonariam.
Depois pensei se isso acontecesse com alguém que eu gostava. Com o Rui por exemplo. A primeira coisa que eu acho que as pessoas iriam comentar caso eu ficasse com ele era: "é por pena". Mas eu tenho a certeza que não. Se ficasse com o Rui seria porque o amava, e independentemente de ele estar numa cadeira de rodas, de não se lembrar de mim ou até mesmo de não saber quem é ele próprio, eu ficaria com ele. Não por.pena mas sim porque um dia o tinha conhecido tal como ele era, a sua essência. Porque foi ele que me fez feliz, me tornou melhor e cuidou de mim. Sentia-me grata por lhe poder ajudar e fazer sentir melhor, não me sentia com pena. Aposto como o ia amar cada vez mais de dia para dia. E se no dia seguinte ele me pergunta-se, outra vez, quem eu era e porque estava com ele, todos os dias a resposta ia ser a mesma. Contava-lhe como nos conhecemos, como fomos e seríamos felizes e tudo aquilo que sentia por ele, que parece não ter limites. Contava-lhe a nossa história. E tenho a certeza, certeza absoluta, que por momentos ele se iria sentir especial. E isso era o que me dava força para voltar ali no dia seguinte. Ok, mas isto não vai acontecer. Pensei nisto e queria mesmo escrever. Ao refletir sobre isto constatei que o Rui é realmente a pessoa que mais amei até hoje e sei que vou ser capaz de amar.

domingo, 29 de setembro de 2013

Last day

Confesso que todas as poucas forças que eu conhecia em mim se foram. Não consigo mais manter-te de pé. Estou mesmo cansada de suportar tanta coisa sozinha, de não ter ninguém junto a mim, que me ajude, compreenda e faça com os meus problemas se pareçam mais pequenos. Eu sei que várias pessoas vão ler isto e vão pensar: "E eu?" A questão é que por vezes essa ajuda por parte dos meus poucos verdadeiros amigos não chega a ser suficiente. Hoje, por exemplo, sinto-me completamente devastada. Como se nada batesse certo, como se nada me pudesse fazer soltar um sorriso. Acho que hoje foi mesmo o fim de tudo. Das minhas forças, da minha coragem e da minha vontade de acordar todos os dias. Estou a chorar ao ponto de mal ver as letras do teclado do meu computador. Eu não aguento mais isto, não aguento mais que as pessoas façam de mim o que querem. Estou farta que as pessoas me desvalorizem, e me coloquem em segundo plano quando eu faço tudo por elas! Acho que hoje foi o dia em que para mim acabou tudo mesmo. Não vos sei explicar, mas sinto um vazio tão mas tão grande. Como se tudo aquilo que por lutei todos estes anos, de repente não fizesse sentido.. A verdade é que tanto como eu como os meus pais não temos sorte nenhuma nesta vida. Sabem qual é a primeira coisa que faço quando chego a casa, sempre, todos os dias? Chamar pela minha mãe. Para me certificar que está bem, não se tentou matar. São duras as palavras, eu sei, mas são a realidade. A minha mãe não é nenhuma louca, não pensem. É sim uma mulher muito lutadora e forte com quem a vida tem vindo a gozar indecentemente. O meu pai então, meu Deus, não sei como ainda está aqui com tantos problemas e com tantas preocupações. Só gostava de ter metade da força que eles têm vindo a ter. Talvez neste momento não estaria lavada em lágrimas.  Paz. Paz era tudo aquilo que eu precisava. Paz no coração. Paz na vida e acima de tudo, Paz nos meus pensamentos. Eu não me valorizo, é um facto. Nunca vou estar bem comigo própria. Nunca vou acreditar que uma pessoa é capaz de me amar por inteiro. Nunca me vou achar suficientemente boa para ninguém. Porque eu não sou. O Rui é outro que tal. Amo-o imenso, imenso mesmo. Fizemos 1 ano no Domingo passado. Mas magoa-me saber que em certos aspectos ele faz coisas que sabe que me magoam e continua a fazê-las. "Desculpa Kika". Essas desculpas valem zero para mim porque ele volta a fazer tudo de novo. Estas minhas lágrimas são só a acumulação de tudo aquilo que eu tenho vindo a guardar para mim. Gostava de ser feliz. E sei que nunca o vou ser. Porque tenho um passado que me assombra e um presente que me assusta de morte. O que sou hoje e onde estarei amanhã? As pessoas e aqui falo de alguém em especial, são incapazes de pensar em mim por um momento. São incapazes de antes de fazer algo pensar: "A Kika anda mal, será que ela não iria ficar pior se eu fizesse isto/dissesse ou agisse? Bem é melhor não fazer." Acham mesmo? Nunca. Eu nunca vou estar no topo da vida de ninguém. Mas as outras pessoas estão sempre no meu, eu penso sempre nos outros antes de fazer as coisas de forma a não magoá-los. Questiono-me até que ponto as pessoas não me usam, mentem ou até mesmo me gozam por trás. Só de pensar nisso. Sou uma pessoa sofrida. Uma pessoa que as forças se foram desgastando chegando à estaca zero: o dia de hoje. Mas a todos os que me magoaram, a partir de hoje, a Francisca Serra ingénua e amiga de todo o Mundo, morreu. Dentro de mim nasceu alguém com um certo rancor e desde já vos digo. A vingança é um prato que se serve frio. Posso estar sem forças, posso estar prestes a desistir. Mas se me safar deste, se me conseguir por de pé, preparam-se, porque eu sou fodida. E pode ser que brevemente alguém me perca e perceba a necessidade de abdicar de certas coisas. Amar não basta, acreditem. E quantos amigos/as já me disseram "amo-te" e hoje nem olá me dizem na rua. Aqui a sonsa está farta de ser pisada. Manipulada e mandada ao leões. Mas esquecem-se que a vida me ensinou a domar. Beijos.