Já não sei o que chamar a tudo o que passa pelas maçãs do meu rosto. Já não sei o porquê de existirem. Já não sei porque caem, mas caem. É algo que em tempos eu não reconhecia face ao primeiro aparecimento. Era algo que eu realmente estranhava, porque dificilmente o fazia. Nada me derrubava, nem que para isso tivesse de tirar as pulseiras de que a minha mãe tanto gostava ou até mesmo arregaçar as mangas da camisa que ela tanto gostava de combinar com a saia azul e sapatos dessa mesma cor para dar uma ideia de valente. Desde nova que me sei ou sabia defender. Sabia ser educada, e distinguir respeito de apenas boa educação, e talvez desde início tenha sido muito impulsiva. Hoje não me reconheço. Deparei-me frente a um espelho, e não me reconheci. Não sou mais forte nem lutadora. Eu simplesmente deixei de ser eu. Eu não luto mais. Eu permanece calada à espera que tudo passe, e se for preciso ainda faço vénias a pessoas que me rebaixam constantemente. Se existe algo que me enerva desde sempre são pessoas que se acham superiores ao ponto de desvalorizam corações feridos de uma guerra que parece não ter fim. Uma guerra que simplesmente não terá uma meta. A solidão, a pouca sorte, a falsidade, o medo. Uma guerra que só recruta os mais fortes, mas por fim fá-los mais fracos do que os que nem se chegaram a alistar. E naquele espelho.. naquele espelho eu vi uma miúda, assustada com a reviravolta que a sua vida deu. Uma miúda que se está a fazer mulher, convencendo-se que é forte. Mas ali, no espelho, ela percebe que está completamente perdida, talvez num deserto ou até num oceano onde nenhum azul, nem mesmo o dos seus olhos, conseguirá alcançar. Toca no seu corpo e não gosto do que sente, não gosta do que vê. Olha para as suas lágrimas a cair pelas mais diferentes sardas e questiona-se o porquê de nada bater certo, o porquê de ninguém ser capaz de acabar com aquela dor, nem com as mais ricas palavras. No espelho ela vê cicatrizes que nem se encontram lá, vê pessoas que já partiram e lembra momentos que também já sentiram a sua pele, que também já sentiram uma força que nem ela sabe onde está neste momento. No fundo ela só quer saber o que é aquilo que ela está a ver em frente a um lindo espelho. O que está por detrás de uma máscara carregada de sorrisos e doçuras que nem sempre foram verdadeiras. Quem é aquela pessoa que se encontra ali de pé? E nesse dia, quando se olhou ao espelho, ela só perguntou: Quem sou eu?
Nenhum comentário:
Postar um comentário