Confesso que todas as poucas forças que eu conhecia em mim se foram. Não consigo mais manter-te de pé. Estou mesmo cansada de suportar tanta coisa sozinha, de não ter ninguém junto a mim, que me ajude, compreenda e faça com os meus problemas se pareçam mais pequenos. Eu sei que várias pessoas vão ler isto e vão pensar: "E eu?" A questão é que por vezes essa ajuda por parte dos meus poucos verdadeiros amigos não chega a ser suficiente. Hoje, por exemplo, sinto-me completamente devastada. Como se nada batesse certo, como se nada me pudesse fazer soltar um sorriso. Acho que hoje foi mesmo o fim de tudo. Das minhas forças, da minha coragem e da minha vontade de acordar todos os dias. Estou a chorar ao ponto de mal ver as letras do teclado do meu computador. Eu não aguento mais isto, não aguento mais que as pessoas façam de mim o que querem. Estou farta que as pessoas me desvalorizem, e me coloquem em segundo plano quando eu faço tudo por elas! Acho que hoje foi o dia em que para mim acabou tudo mesmo. Não vos sei explicar, mas sinto um vazio tão mas tão grande. Como se tudo aquilo que por lutei todos estes anos, de repente não fizesse sentido.. A verdade é que tanto como eu como os meus pais não temos sorte nenhuma nesta vida. Sabem qual é a primeira coisa que faço quando chego a casa, sempre, todos os dias? Chamar pela minha mãe. Para me certificar que está bem, não se tentou matar. São duras as palavras, eu sei, mas são a realidade. A minha mãe não é nenhuma louca, não pensem. É sim uma mulher muito lutadora e forte com quem a vida tem vindo a gozar indecentemente. O meu pai então, meu Deus, não sei como ainda está aqui com tantos problemas e com tantas preocupações. Só gostava de ter metade da força que eles têm vindo a ter. Talvez neste momento não estaria lavada em lágrimas. Paz. Paz era tudo aquilo que eu precisava. Paz no coração. Paz na vida e acima de tudo, Paz nos meus pensamentos. Eu não me valorizo, é um facto. Nunca vou estar bem comigo própria. Nunca vou acreditar que uma pessoa é capaz de me amar por inteiro. Nunca me vou achar suficientemente boa para ninguém. Porque eu não sou. O Rui é outro que tal. Amo-o imenso, imenso mesmo. Fizemos 1 ano no Domingo passado. Mas magoa-me saber que em certos aspectos ele faz coisas que sabe que me magoam e continua a fazê-las. "Desculpa Kika". Essas desculpas valem zero para mim porque ele volta a fazer tudo de novo. Estas minhas lágrimas são só a acumulação de tudo aquilo que eu tenho vindo a guardar para mim. Gostava de ser feliz. E sei que nunca o vou ser. Porque tenho um passado que me assombra e um presente que me assusta de morte. O que sou hoje e onde estarei amanhã? As pessoas e aqui falo de alguém em especial, são incapazes de pensar em mim por um momento. São incapazes de antes de fazer algo pensar: "A Kika anda mal, será que ela não iria ficar pior se eu fizesse isto/dissesse ou agisse? Bem é melhor não fazer." Acham mesmo? Nunca. Eu nunca vou estar no topo da vida de ninguém. Mas as outras pessoas estão sempre no meu, eu penso sempre nos outros antes de fazer as coisas de forma a não magoá-los. Questiono-me até que ponto as pessoas não me usam, mentem ou até mesmo me gozam por trás. Só de pensar nisso. Sou uma pessoa sofrida. Uma pessoa que as forças se foram desgastando chegando à estaca zero: o dia de hoje. Mas a todos os que me magoaram, a partir de hoje, a Francisca Serra ingénua e amiga de todo o Mundo, morreu. Dentro de mim nasceu alguém com um certo rancor e desde já vos digo. A vingança é um prato que se serve frio. Posso estar sem forças, posso estar prestes a desistir. Mas se me safar deste, se me conseguir por de pé, preparam-se, porque eu sou fodida. E pode ser que brevemente alguém me perca e perceba a necessidade de abdicar de certas coisas. Amar não basta, acreditem. E quantos amigos/as já me disseram "amo-te" e hoje nem olá me dizem na rua. Aqui a sonsa está farta de ser pisada. Manipulada e mandada ao leões. Mas esquecem-se que a vida me ensinou a domar. Beijos.
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