O difícil num texto é sempre começar. O que dizes no início é o que faz com que queiram ler o resto. O amargo das palavras e o doce dos gestos. Tudo isso me leva a escrever. Consegui despertar a atenção? Desculpem. Estava sem ideias para começar.
Ontem fui a Coimbra e na viagem, o meu pai, para variar, vinha com excesso de velocidade. Pus-me a imaginar se algo corresse mal, houvesse um acidente e ao invés de eu morrer, ficasse numa cadeira de rodas, com um atraso qualquer. Como aconteceu com a mulher do cantor Chris Medina. Quem ficaria comigo? Quem cuidaria de mim? Poucos foram os nomes que eu consegui ter a certeza que não me abandonariam.
Depois pensei se isso acontecesse com alguém que eu gostava. Com o Rui por exemplo. A primeira coisa que eu acho que as pessoas iriam comentar caso eu ficasse com ele era: "é por pena". Mas eu tenho a certeza que não. Se ficasse com o Rui seria porque o amava, e independentemente de ele estar numa cadeira de rodas, de não se lembrar de mim ou até mesmo de não saber quem é ele próprio, eu ficaria com ele. Não por.pena mas sim porque um dia o tinha conhecido tal como ele era, a sua essência. Porque foi ele que me fez feliz, me tornou melhor e cuidou de mim. Sentia-me grata por lhe poder ajudar e fazer sentir melhor, não me sentia com pena. Aposto como o ia amar cada vez mais de dia para dia. E se no dia seguinte ele me pergunta-se, outra vez, quem eu era e porque estava com ele, todos os dias a resposta ia ser a mesma. Contava-lhe como nos conhecemos, como fomos e seríamos felizes e tudo aquilo que sentia por ele, que parece não ter limites. Contava-lhe a nossa história. E tenho a certeza, certeza absoluta, que por momentos ele se iria sentir especial. E isso era o que me dava força para voltar ali no dia seguinte. Ok, mas isto não vai acontecer. Pensei nisto e queria mesmo escrever. Ao refletir sobre isto constatei que o Rui é realmente a pessoa que mais amei até hoje e sei que vou ser capaz de amar.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Estupidez mais estúpida.
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