segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vie.

Ando há dias para escrever. Mas ando com tanto medo. Não sei, parece que aquilo que estou a sentir não é compatível com as palavras que habitam no meu pensamento. Tudo parece confuso. Aquilo que um dia me parece certo, no dia seguinte, parece-me errado. Estou esgotada sabem? Completamente cansada. Não me sinto com forças para nada neste momento. Mas sei que existem pessoas em posições piores então de manhã faço por me certificar que as pessoas não vão ver de mim nada mais do que um forte sorriso e aquela minha gargalhada estúpida e estridente. Ando carente. A todo o momento as palavras de conforto são bem-vindas, mas a todo o momento elas faltam. Tenho a noção de que por vezes se abraçasse um amigo ou uma amiga, desabaria, no mesmo momento, no mesmo sítio. Então quando o faço, faço mas faço com metade da intensidade que quero. Como se metade da minha dor desaparecesse, mas a outra metade continuasse lá, a mexer com a minha vida e a replicar-se de dia para dia. A todo o momento me apetece estar com alguém. Não tenho gostado de estar sozinha. Mas este tempo em que escrevo está a saber-me bem. Adoro fazê-lo porque choro sempre e parecendo que não, são lágrimas que se vêm a acumular e a lutar para sair cada uma para a fazer a sua justiça. Tenho pena. Muita pena mesmo. Da pessoa que me tornei, dos meus dias, dos meus medos, da minha vida, dos meus sonhos que nem chegam a ser idealizados devido a todos aqueles que um dia se foram. Gosto de dizer que as estrelas são os sonhos de cada um, mas que só tem direito a uma estrela aquele que luta pelos seus sonhos e acredita que é capaz. Pois eu não tenho lá nenhuma. Sou capaz de me odiar várias vezes ao dia e de me rebaixar a toda a hora. Ai mas se soubessem o quanto eu amo por dia. Eu amo em demasia. Mas ele nem imagina. Eu penso em tanta coisa. Mudei de assunto eu sei. Mas isto anda a consumir-me! Não vos sei explicar, só desejo que todos consigam amar alguém assim. Deste jeito quente e frio ao mesmo tempo. Deste jeito capaz de aguentar uma relação à distância. Deste jeito capaz de provocar os mais diferentes sorrisos. Tenho 16 e tenho medo de o dizer. Mas sabem.. não me imagino a amar tanto alguém como o amo neste momento. É um sentimento tão mas tão assustador. É capaz de me fazer chorar devido à sua importância porque um dia já fui independente. Um dia já disse: "Amar? Eu? De jeito algum." E ainda hoje quando ele vai embora e diz: "Amo-te muito!" Eu digo adeus de forma fria mas por dentro idealizo o discurso mais caloroso onde as palavras amo-te e saudades predominam. Sou fria demais para o dizer alto, mas apaixonada por demais para o dizer para mim quase explodindo com as poucas paredes que ainda me protegem. Sim, aquelas do coração que sei que já vos partiram ou deixaram uma marca de qualquer forma. Nem que sejam palavras quase desaparecidas mas que ainda assim tendem a persistir na vossa memória. Amo como o amam os peixes o mar, amo como amam as pessoas o verão. Amo de forma silenciosa e de forma divertida. Amo tanto que não me reconheço. Olho-me ao espelho e vejo uma Kika capaz de amar e penso: "Podes estar a sofrer, a perder tudo e todos. Mas pensa, ganhaste o dom de saber amar. E esta Kika eu quero olhar no espelho para sempre."

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